Diretoria corintiana exibirá ao Conselho proposta que confronta projeto de Guarulhos. iG antecipa detalhes da apresentação de Luís Paulo Rosenberg, que desistiu de empréstimo do BNDES e atacará a engenharia financeira do concorrente
A diretoria corintiana apresenta ao Conselho Deliberativo do clube, nesta quinta-feira à noite, o seu projeto de construção de estádio em Itaquera. O clube já tem um terreno no distrito da zona leste da capital, hoje centro de treinamento das categorias de base. O plano será detalhado pelo diretor de marketing, Luís Paulo Rosenberg, em confronto à proposta já apresentada de uma arena em Guarulhos, encabeçada pelo banco Banif e pela construtora Hochtief, revelada pelo iG em 14 de abril (leia aqui).A reportagem conseguiu detalhes do que Rosenberg mostrará aos conselheiros antes da reunião. Segundo o presidente do CD, Carlos Senger, é possível que ao final seja aberta votação para que se decida já nesta quinta qual estádio é o preferido. Feito isso, caberá ao presidente Andrés Sanchez definir se toca ou não o projeto escolhido. A decisão final é dele, independentemente do que o Conselho apontar.
Financiamento por ItaqueraA estratégia de Rosenberg para minar a oferta de Guarulhos é mostrar que o estádio em Itaquera sairá mais barato e com lucro maior para o clube. Até o início da noite desta quarta-feira ele finalizava os detalhes da apresentação, mas a proposta é basicamente que o clube obteria financiamento de R$ 250 milhões com um banco privado (o nome da instituição deve ser revelado na reunião). A princípio Rosenberg sonhava em financiar por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), com juros menores, mas o banco não pretende fazer empréstimo direto a clubes de futebol.
Com os R$ 250 milhões na conta, o Corinthians poderia concluir a obra de um estádio para 45 mil lugares, já que o terreno é próprio (foi concedido pelo governo estadual justamente para esse propósito). Depois de 18 meses do início da construção, o clube começaria a vender camarotes, cadeiras cativas e o “naming rights” (direito de uma empresa colocar o nome na arena).
| Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Corinthians, apresenta nesta quinta-feira a proposta de construção de estádio em Itaquera |
DefeitosO diretor corintiano criticará alguns pontos do projeto de Guarulhos. Como por exemplo a capacidade do estádio, de 56 mil lugares, maior do que se prevê em Itaquera, e que segundo Rosenberg deixaria o estádio na maior parte do tempo com espaços vazios. Ele apresentará um levantamento no qual mostra que a média de público por jogo como mandante nos últimos anos foi de 22 mil pessoas.
Na proposta encabeçada pelo Banif serão vendidos 15 mil cativas e 100 camarotes com o lucro das vendas ficando para os investidores. Rosenberg questionará que a manutenção disso tudo, por outro lado, será do Corinthians. O problema para o dirigente é que o clube não ganha dinheiro com a construção do projeto em Guarulhos. Recebe um estádio, mas sem lucro a curto prazo. Ele tentará provar que em Itaquera o corintiano terá o estádio, aliado ao lucro.
“Temos que avaliar se é válido receber um estádio de graça, sem preocupação nenhuma, seja para comprar terreno, aprovar escritura, essas coisas, ou procurar financiamento nosso, contratar uma construtora, e ter todo o lucro“, disse Rosenberg durante reunião do Conselho, em maio, que conheceu o projeto de Guarulhos.
O estádio em Guarulhos custará algo em torno de R$ 400 milhões, somando o valor para a compra de dois terrenos no limite entre São Paulo e Guarulhos, na avenida Educador Paulo Freire. O projeto tem a presença, além do Banif e da Hotchief, do Bradesco, da construtora EIT e da consultoria PricewaterhouseCoopers.
A proposta prevê que os investidores terão lucro nas vendas de cativas, camarotes e do nome do estádio. Obtendo os ganhos, sai do negócio e o estádio fica 100% para o clube.
Rosenberg questionará que o Banif não apresentou garantias financeiras de que conseguirá comprar os terrenos e realizar a obra. Segundo representante das empresas, que pediu anonimato, o dinheiro será capitalizado entre investidores que têm depósitos no banco e que topem o risco do projeto.
Ainda segundo esta fonte, o Corinthians teria receitas imediatas com o estádio pronto de estacionamento e lojas externas, além de alguns camarotes. E que poderia depois de alguns anos vender novamente o “naming rights”, por valor superior ao que os investidores conseguirão agora.
A discussão na reunião promete ser acalorada e desta vez a imprensa não deve receber permissão para acompanhar o debate. O presidente Andrés Sanchez é esperado, depois de retornar da África do Sul, onde foi o chefe de delegação da seleção brasileira. Os favoráveis a Itaquera não vão querer votação nesta quinta. Os de Guarulhos sim, até porque a carta de intenção do Banif vale somente até 10 de agosto.

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