quinta-feira, 15 de julho de 2010

Projeto de estádio corintiano em Itaquera prevê financiamento de banco privado

Diretoria corintiana exibirá ao Conselho proposta que confronta projeto de Guarulhos. iG antecipa detalhes da apresentação de Luís Paulo Rosenberg, que desistiu de empréstimo do BNDES e atacará a engenharia financeira do concorrente
A diretoria corintiana apresenta ao Conselho Deliberativo do clube, nesta quinta-feira à noite, o seu projeto de construção de estádio em Itaquera. O clube já tem um terreno no distrito da zona leste da capital, hoje centro de treinamento das categorias de base. O plano será detalhado pelo diretor de marketing, Luís Paulo Rosenberg, em confronto à proposta já apresentada de uma arena em Guarulhos, encabeçada pelo banco Banif e pela construtora Hochtief, revelada pelo iG em 14 de abril (leia aqui).

A reportagem conseguiu detalhes do que Rosenberg mostrará aos conselheiros antes da reunião. Segundo o presidente do CD, Carlos Senger, é possível que ao final seja aberta votação para que se decida já nesta quinta qual estádio é o preferido. Feito isso, caberá ao presidente Andrés Sanchez definir se toca ou não o projeto escolhido. A decisão final é dele, independentemente do que o Conselho apontar.

Financiamento por ItaqueraA estratégia de Rosenberg para minar a oferta de Guarulhos é mostrar que o estádio em Itaquera sairá mais barato e com lucro maior para o clube. Até o início da noite desta quarta-feira ele finalizava os detalhes da apresentação, mas a proposta é basicamente que o clube obteria financiamento de R$ 250 milhões com um banco privado (o nome da instituição deve ser revelado na reunião). A princípio Rosenberg sonhava em financiar por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), com juros menores, mas o banco não pretende fazer empréstimo direto a clubes de futebol.

Com os R$ 250 milhões na conta, o Corinthians poderia concluir a obra de um estádio para 45 mil lugares, já que o terreno é próprio (foi concedido pelo governo estadual justamente para esse propósito). Depois de 18 meses do início da construção, o clube começaria a vender camarotes, cadeiras cativas e o “naming rights” (direito de uma empresa colocar o nome na arena).
Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Corinthians, apresenta nesta quinta-feira a proposta de construção de estádio em Itaquera
Nas contas que Rosenberg apresentará, o clube conseguiria com as vendas dos bens citados acima pagar os juros do financiamento e ainda teria um lucro considerável (valor que dependeria da taxa de juros que seria paga ao banco financiado). A obra seria tocada pela construtora Odebrecht.

DefeitosO diretor corintiano criticará alguns pontos do projeto de Guarulhos. Como por exemplo a capacidade do estádio, de 56 mil lugares, maior do que se prevê em Itaquera, e que segundo Rosenberg deixaria o estádio na maior parte do tempo com espaços vazios. Ele apresentará um levantamento no qual mostra que a média de público por jogo como mandante nos últimos anos foi de 22 mil pessoas.

Na proposta encabeçada pelo Banif serão vendidos 15 mil cativas e 100 camarotes com o lucro das vendas ficando para os investidores. Rosenberg questionará que a manutenção disso tudo, por outro lado, será do Corinthians. O problema para o dirigente é que o clube não ganha dinheiro com a construção do projeto em Guarulhos. Recebe um estádio, mas sem lucro a curto prazo. Ele tentará provar que em Itaquera o corintiano terá o estádio, aliado ao lucro.

“Temos que avaliar se é válido receber um estádio de graça, sem preocupação nenhuma, seja para comprar terreno, aprovar escritura, essas coisas, ou procurar financiamento nosso, contratar uma construtora, e ter todo o lucro“, disse Rosenberg durante reunião do Conselho, em maio, que conheceu o projeto de Guarulhos.

O estádio em Guarulhos custará algo em torno de R$ 400 milhões, somando o valor para a compra de dois terrenos no limite entre São Paulo e Guarulhos, na avenida Educador Paulo Freire. O projeto tem a presença, além do Banif e da Hotchief, do Bradesco, da construtora EIT e da consultoria PricewaterhouseCoopers. 

A proposta prevê que os investidores terão lucro nas vendas de cativas, camarotes e do nome do estádio. Obtendo os ganhos, sai do negócio e o estádio fica 100% para o clube.

Rosenberg questionará que o Banif não apresentou garantias financeiras de que conseguirá comprar os terrenos e realizar a obra. Segundo representante das empresas, que pediu anonimato, o dinheiro será capitalizado entre investidores que têm depósitos no banco e que topem o risco do projeto.

Ainda segundo esta fonte, o Corinthians teria receitas imediatas com o estádio pronto de estacionamento e lojas externas, além de alguns camarotes. E que poderia depois de alguns anos vender novamente o “naming rights”, por valor superior ao que os investidores conseguirão agora.

A discussão na reunião promete ser acalorada e desta vez a imprensa não deve receber permissão para acompanhar o debate. O presidente Andrés Sanchez é esperado, depois de retornar da África do Sul, onde foi o chefe de delegação da seleção brasileira. Os favoráveis a Itaquera não vão querer votação nesta quinta. Os de Guarulhos sim, até porque a carta de intenção do Banif vale somente até 10 de agosto.

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