segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Com torcida no comando, Corinthians volta à rotina de troca de técnicos
Para evitar protestos violentos, Andrés Sanchez aceita conselhos da torcida, acerta saída de Adilson Batista e retoma velho hábito no clube
O Corinthians voltou à rotina de não manter treinadores por mais de um ano. Adilson Batista, que caiu após a derrota por 4 a 3 para o Atlético-GO, domingo, no Pacaembu, foi o 19º treinador do clube desde 2001, o que dá a média de dois técnicos por ano. Como outros, ele sucumbiu à pressão da torcida.
O treinador mais cotado para assumir o cargo é Carlos Alberto Parreira, fortalecido pela boa passagem pelo Corinthians em 2002. Aliás, ele e Mano Menezes foram os únicos que completaram um ano no cargo desde 2001. Parreira ficou no comando de janeiro a dezembro de 2002, quando saiu para dirigir a seleção. Mano fez o mesmo caminho, após comandar a equipe entre janeiro de 2008 e julho de 2010.
Muitas das saídas de treinadores nesta década foram motivadas por pressão da torcida. Adilson, que só dirigiu o clube por dois meses e nove dias, é a vítima mais recente.
“Infelizmente, não foi possível dar uma continuidade ao trabalho do Adilson. Ele foi muito digno, teve coragem, mas a gente acabou decidindo que o melhor agora é cada um seguir o seu caminho”, disse o diretor de futebol Mário Gobbi, sem admitir a influência da torcida na decisão. Mas foi ela que motivou a queda do treinador e deu o aval ao clube para ir atrás de Parreira.
Daniel Passarela, demitido em 2005, foi uma das vítimas da principal torcida organizada do clube. Após derrota para o São Paulo por 5 a 1, no Pacaembu, a MSI, que comandava o futebol do clube, queria a manutenção de Passarela. Só que o então presidente Alberto Dualib cedeu à pressão da torcida e optou pela demissão.
Para evitar protestos mais violentos, Andrés Sanchez, presidente do clube e ex-membro da Gaviões da Fiel, dá à torcida poderes de conselheiros. Tanto que os recebeu na véspera da partida contra o Atlético-GO e após a partida. Ao garantir a eles que Adilson não seria mais técnico do clube, os membros da organizada prometeram que não dificultariam a saída do ônibus do clube do Pacaembu.
Os cerca de 50 torcedores que rodearam o veículo que levou a delegação, entre eles senhoras e mulheres indignadas, não faziam parte da organizada. Adilson admitiu que a presença de torcedores no dia-a-dia do clube não o agradou.
Ainda sem um substituto definido, o Corinthians retoma suas atividades nesta segunda-feira com o auxiliar técnico Fábio Carille no comando. Carille, de 37 anos, chegou ao clube em janeiro de 2009 trazido por Mano Menezes. Antes do Corinthians, foi auxiliar técnico do Barueri. Se não conseguir fechar com um treinador até quarta-feira, Carille será o treinador do time na partida contra o Vasco, em São Januário.
OS 19 TÉCNICOS DO CORINTHIANS DESDE 2001
2001Vanderlei Luxemburgo
Darío Pereyra
2002
Carlos Alberto Parreira
2003Geninho*
Leovegildo da Gama Júnior
Juninho Fonseca
2004
Oswaldo de Oliveira
Tite
2005Daniel Passarela
Márcio Bittencourt
Antônio Lopes
2006Geninho
Ademar Braga
Emerson Leão
2007
Paulo César Carpegiani
Zé Augusto
Nelsinho Batista
2008 a julho de 2010
Mano Menezes
2010
Adilson Batista

Nenhum comentário:

Postar um comentário