sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Politizado, Ronaldo quer saber das intenções para o esporte de Dilma e Serra


Fenômeno promoveu encontro com o tucano no primeiro turno mas também gostaria de ouvir as propostas de Dilma para a área esportiva
Bruno Winckler, iG São Paulo
Ronaldo está bem interessado no processo eleitoral e espera nesse período ajudar a classe dos jogadores de futebol a se engajar na luta por melhores condições de trabalho. Na coletiva de imprensa que concedeu na quinta-feira, o atacante corintiano disse que tem conversado muito com seus companheiros sobre política e revelou o interesse de se encontrar com os candidatos à presidência Dilma Rousseff e José Serra para saber mais sobre seus projetos para o esporte.
Com o candidato tucano já houve um encontro, ainda no primeiro turno das eleições. Na ocasião, Ronaldo promoveu um jantar para Serra expor a alguns convidados do Fenômeno suas intenções de investimento na área esportiva. Com Dilma o encontro ainda não foi possível por "questões de agenda", diz Ronaldo.
"No primeiro turno, reuni alguns companheiros e ofereci um jantar para o Serra e fizemos uma mini-sabatina com ele, que foi ótima, tirou todas as nossas dúvidas em relação às políticas para o esporte. Desde então tentamos com a Dilma mas não deu, e é muito compreensível que, em campanha, a agenda é feita com muita antecedência  e eu não tive muito tempo para ver esse tipo de evento depois", disse Ronaldo.
A maior preocupação de Ronaldo é em relação às condições de trabalhos dos jogadores de futebol no Brasil. Segundo ele, a maioria vive situação financeira muito difícil. Leis de incentivo ao futebol seriam necessárias no ponto de vista do jogador para melhorar o quadro apresentado por ele. "Só 3% dos jogadores no Brasil ganha mais de 10 mil reais por mês. Acho que 94% ganha um salário mínimo. Temos um calendário muito puxado também, poucas condições de trabalho. O futebol não é só primeira divisão".
Perguntado se aceitaria um convite para assumir o ministério do Esporte para tentar criar mecanismos de ajuda para atletas menos favorecidos, o craque demorou um pouco para dar uma resposta. "Não. Imaginei um segundo como seria mas voltei correndo para cá", disse o craque. Ronaldo diz também que ser político não está nos seus planos, mas talvez um cargo não eletivo o atraia no futuro. "Não seria político, algo mais técnico talvez, algo que poderia ajudar diretamente... Mas, quantos dias tem de trabalhar o ministro?", disse, já pensando na aposentadoria de um jogador que atualmente ganha mais de R$ 500 mil mensais.

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